MARIO MATOS, EX. JOGADOR O ESGUEIRA
Decidiste colocar um ponto na final na carreira de jogador. Foi uma decisão dificil mas bem ponderada?
Foi uma decisão difícil, ponderada e inevitável. Difícil, porque foram quase 25 anos como atleta, depois de passar o que passei com lesões (três operações aos joelhos), os sacrifícios devido a questões profissionais, ser professor hoje em dia não é fácil, porque andamos sempre de um lado para o outro com a «casa às costas», o facto de perder o ambiente de balneário, quando é saudável (caso da Oliveirense nestes últimos anos, que era qualquer coisa de fantástico) custa sempre um pouco. Para além disso, deixar de sentir a adrenalina pré-competitiva é algo que, para quem esteve envolvido no desporto, nos faz sentir incompletos aos fim de semana.
Ponderada, pois quando nos envolvemos em projetos sérios, a família muitas vezes fica a “perder”, porque o dia só tem 24 horas e temos de nos repartir por elas, com os treinos e jogos ao fim-de-semana, as ausências são constantes e deixamos muitas vezes a esposa e o filho sem a nossa presença.
Inevitável, porque no nível em que a Oliveirense se encontra, as perninhas já não respondem da forma que o faziam antes e os 35 anos começaram a pesar. Por estas razões o desfecho era o inevitável.Que balanço final é que fazes dos muitos anos que tiveste como jogador?
Bastante positivo e memorável. Nos 25 anos de carreira como atleta, criei grandes laços de amizade, que jamais serão cortados, apesar das distâncias físicas que se interpõem entre nós. Aprendi, conheci, cresci e adquiri muitos dos valores que me guiam na minha vida social e especialmente familiar, os quais pretendo passar ao meu filho. Sempre tentei ter uma postura correta dentro e fora do pavilhão e aqui deixo um DESCULPA a todos os que por alguma razão consideram que tive para com eles um comportamento incorreto.
Quais os grandes momentos da tua carreira que guardarás para sempre na tua memória?
Foram muitos os momentos marcantes, pois considero que tive sorte na geração em que cresci no Esgueira e na qual tinha um papel muito importante, onde íamos ganhando sempre. Todas as internacionalizações que tive, porque sentia grande orgulho sempre que representava o nosso país. A primeira grande lesão ao joelho (17 anos) marcou o meu percurso académico. A partir desse momento comecei a interessar-me mais pelos estudos, porque senti que de um momento para o outro ficamos sem nada. A passagem pelo Sampaense, na qual fui campeão nacional pela primeira vez.
Sem dúvida os últimos dois anos de Oliveirense, nos quais fomos campeões nacionais. O espirito de amizade, respeito e companheirismo criado no seio do grupo, nunca sentido em clube algum de uma forma tão forte.
O Esgueira e a Oliveirense foram os dois clubes que mais marcaram a tua carreira?
Foram. O Esgueira pela formação que me proporcionou, não só como atleta, mas como um jovem em construção da sua personalidade. Penso que na altura era um clube único nessas vertentes. A Oliveirense porque foi o último e o «especial», pelo que falei anteriormente. Acrescentaria o Sampaense pelo rigor administrativo e pelo apoio que o povo da São Paio de Gramaços dá aos atletas que fazem parte daquele clube, que considero ser único.
Qual foi o melhor (ou melhores) treinador que tiveste?
Penso que tive sorte com todos os treinadores com que trabalhei. Todos eles incutiram em mim um espirito guerreiro, respeitador e ensinaram-me o que é o basquetebol. Pode ser injusto, mas vou referir alguns. O saudoso Prof. Cassiano, porque conversou muito comigo e me ajudou bastante a ultrapassar as dificuldades, inerentes ao facto de eu estar em constantes viagens e estágios da seleção nacional e como rapaz novo que era, muitas vezes não sabia muito bem como lidar com essas constantes ausências. O Prof. Carlos Cabral, pela forma como ele aborda o jogo, sempre a incentivar e exigindo de nós os 110% das nossas capacidades. O Prof. Luís Magalhães, pela sabedoria e capacidade de ver mais à frente o jogo. O Prof. Pedro Costa, pela forma como planeia os treinos em função dos adversários que se nos deparavam ao fim de semana. Não podia terminar estas minhas referências, sem nomear o Prof. Ricardo Guimarães, porque foi ele, após muitos anos de basquetebol, me ensinou ainda como se consegue elevar a qualidade de um grupo, exponenciando o valor do espírito de grupo, transformando-o em vitórias, como o sucedido na Oliveirense.
E o melhor jogador que defrontaste?
Vou referir dois. Sem dúvida Rodrigo Delafuente, que jogou muitos anos no Barcelona, defrontei-o numa fase Intermédia de seleções e já nessa ápoca mostrava ser dotado de muitas habilidades e capacidades. O outro foi Olivier Saint-jean, que mais tarde mudou de nome para Tariq Abdul-Wahad e foi atleta dos Sacramento, Denver e Dallas. A sua capacidade de impulsão foi minha fonte inspiradora, mas nunca fui capaz de me aproximar das suas potencialidades, por pena minha.
Apesar de teres deixado de jogar, vais permanecer na Oliveirense como treinador de uma equipa dos escalões de formação. Vais apostar a sério numa carreira de treinador?
Chegado ao fim da minha vida de atleta, está na hora de aprofundar e apostar numa carreira de treinador. Tenho muito que aprender, mas acredito que a minha experiência, não só como atleta, mas também como professor de Educação Física, poderá ser uma mais valia. Pretendo continuar ligado a esta modalidade que me deu muitas alegrias e a qual sinto um prazer enorme de fazer parte da minha vida. Vou permanecer na Oliveirense, porque para além de questões familiares e profissionais, porque a minha vida está sediada em Oliveira de Azeméis, o clube trabalha bem e oferece garantias de que vou aprender e evoluir.- - -
FICHA:
Nome completo: Mário Jorge de Almeida Matos
Naturalidade: Aveiro
Residência: Oliveira de azeméis
Idade: 35
Estado civil: Casado
Filhos: 1
Clubes que representou: Esgueira; Académica; União Desportiva de Chamusca; Sampaense; Galitos e Oliveirense.
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