Antes de chegar a árbitro, Paulo Marques foi jogador e treinador de basquetebol e, talvez por isso, tenha maior facilidade em perceber os pontos de vista de todos os intervenientes no jogo de basquetebol.
Em Portugal tem vindo a assumir-se como um dos árbitros em melhor plano.
Quando passou de jogador a árbitro, sentiu alguma dificuldade em apitar jogadores com quem e contra quem disputou inúmeros jogos?
Não senti dificuldade, pelo contrário. A amizade e o conhecimento que tinha com muitos jogadores tornou até mais fácil a comunicação porque “falamos” a mesma linguagem. Também nunca fui um jogador conflituoso e por isso sempre houve um respeito pela minha posição de árbitro mesmo por aqueles que me conheciam melhor. Tentei também desde sempre mostrar que agora era um papel diferente na minha carreira e que não teria qualquer tipo de diferenciação entre aqueles que conhecia e os que não conhecia. A honestidade e justiça são os grande principios que um árbitro deve ter.
Relativamente aos jogos de escalões de formação inicial: na sua opinião pensa que um árbitro deve ser exigente nos aspectos técnicos ou 'fechar os olhos' a algumas infrações?
'Fechar os olhos' não digo porque é importante os mais jovens conhecerem desde cedo o que é uma violação ou uma falta. Penso é que devemos tentar ao máximo que os jovens compreendam o porquê de termos apitado. Devemos ter uma atitude pedagógica mas sempre com exigência porque senão estariamos a prejudicar os mais evoluidos tecnicamente.
Por vezes diz-se que quando um jogador faz uma coisa diferente, e um árbitro não conhece tende a considerar infração às regras, nomeadamente ao nível da regra dos apoios. Sente que acompanhar a evolução do jogo a nível técnico é fundamental para o sucesso dum árbitro?
Sem dúvida. Por exemplo, existem algumas diferenças ao nível dos movimentos entre o Feminino e o Masculino. Se não estiveres a par do que os ou as jogadoras costumam fazer vamos estar a penalizar erradamente. Para isso é fundamental ver jogos, especialmente ao nível de competições de topo seja de clubes ou de selecções nacionais.
Diz o ditado que 'depressa e bem, há pouco quem'. Saber decidir rápido e bem é uma das grandes virtudes de um árbitro?
O que os treinadores querem são boas decisões. Por vezes é melhor demorar mais um segundo a apitar do que fazê-lo precipitadamente. Os jogadores e treinadores compreendem se aguentarmos o apito... Mas sem dúvida que o timing que um árbitro tem para decidir é muito curto e num só ataque tem que “arbitrar” e julgar muitas situações.
Alguns árbitros dizem que tentam abstrair-se dos insultos que vêm da bancada. É assim tão fácil manter-se afastado disso mesmo?
É mais fácil abstrairmo-nos dos insultos quando temos um pavilhão cheio porque praticamente não conseguimos ouvir. Infelizmente em Portugal isso só acontece nas meias finais e final da Liga ou Proliga. Agora, quando temos um pavilhão com pouca gente e uma ou outra pessoa está constantemente a insultar os árbitros é algo que não é agradével. No entanto, com a concentração que é necessária a um árbitro, conseguimos que os insultos não nos afectem.
Quando um jovem começa a jogar, rapidamente cria as suas referências observando os grandes atletas. Enquanto árbitro, também tem referências nacionais ou estrangeiras?
Sem dúvida que sim. Mas, e seguindo o ditado, “o que é nacional é bom”, as minhas referências sempre foram a nível nacional, nomeadamente o Fernando Rocha e o Luis Lopes e também os ex-árbitros como o Tozé Coelho por exemplo. Começaram desde cedo a arbitrar lá fora e transmitiram-me o seu conhecimento de forma a eu poder melhorar as minhas prestações.
Passou a ser árbitro internacional. Já tem traçados novos objectivos na sua carreira?
Estou a viver um grande momento na minha carreira de árbitro. As coisas foram acontecendo rapidamente e ter chegado a Internacional foi uma sensação muito especial. Este era o meu grande objectivo. A partir de agora o próximo objectivo passa a ser tentar estar presente num ponto alto (Final Four, Campeonatos Europeus da Divisão A, etc.) a nível europeu seja a nível de clubes ou de selecções
Estou a viver um grande momento na minha carreira de árbitro. As coisas foram acontecendo rapidamente e ter chegado a Internacional foi uma sensação muito especial. Este era o meu grande objectivo. A partir de agora o próximo objectivo passa a ser tentar estar presente num ponto alto (Final Four, Campeonatos Europeus da Divisão A, etc.) a nível europeu seja a nível de clubes ou de selecções


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